
Quando passo exercícios individuais, quase todo mundo gosta. O aluno abre o GPT, o Claude, o Gemini, testa um prompt, refina a resposta, ajusta uma ideia, ganha velocidade e se sente mais capaz. A inteligência artificial, nesse contexto, entrega uma sensação legítima de potência. Mas quando o exercício é em grupo, a coisa muda bem. A IA continua ali, bastante eficiente. O problema é que agora existe uma variável que ela ainda não resolve: o outro.
Em sala de aula, isso aparece de um jeito que me incomoda bastante: como os grupos são formados aleatoriamente, surgem diferenças de repertório, de idade, de profissão, de vocabulário e, principalmente, de fluência digital. Mesmo com as diferenças, parece que todos querem delegar tudo à máquina. São raros os que querem discutir melhor o problema antes de pedir qualquer coisa ao chat. Em poucos minutos, o que deveria ser um exercício sobre inteligência artificial vira um laboratório sobre paciência, escuta, liderança, insegurança, vaidade e empatia.

