
No dia 9 de setembro, Jacob Coxon, um pesquisador da Anthropic, pediu demissão depois de três anos ajudando a treinar LLMs lá e na OpenAI. Depois disso, ele escreveu no X que nenhuma das duas empresas está agindo de forma responsável. O post passou de 150 milhões de visualizações e fez mais de 20 parlamentares nos EUA pedirem regulação mais dura. Aí veio a parte boa para teorias da conspiração: em vez de soltar aquele comunicado corporativo padrão, Evan Hubinger, líder de ciência de alinhamento da Anthropic, respondeu dizendo que “Jacob está certo” e que ele mesmo estima que exista “mais de 10% de chance da IA matar todos os humanos na próxima década”.
Vamos olhar o currículo dos preocupados. O caso do Dario Amodei é o mais interessante, porque ele não caiu de paraquedas nessa discussão. O cara é PhD em biofísica, passou pelo Google Brain, foi vice-presidente de pesquisa da OpenAI e fundou a Anthropic, em 2021, justamente com a promessa de construir uma empresa de IA mais segura, interpretável e controlável. Ou seja: diferente de outros personagens dessa história, ele tem um histórico real de preocupação com segurança. O problema é que esse histórico hoje está sentado em cima de uma das empresas mais valiosas e estratégicas da corrida global por inteligência artificial. Quando a empresa criada para ser a consciência moral da IA vira uma das protagonistas comerciais da própria corrida, a pergunta deixa de ser se o Dario está preocupado. A pergunta passa a ser: preocupado como cientista, como CEO ou como os dois ao mesmo tempo?

