A inteligência artificial deixou de ser apenas um recurso tecnológico e se tornou parte essencial das estratégias de marketing digital no Brasil. Segundo a CNN Brasil, 72% das empresas brasileiras já utilizam IA em algum nível, enquanto uma pesquisa da HubSpot Brasil publicada pelo Meio & Mensagem aponta que 98% dos profissionais de marketing pretendem ampliar o uso da tecnologia em 2025.
Essa transformação acontece tanto no B2C, onde marcas precisam lidar com consumidores hiperconectados e exigentes, quanto no B2B, em que empresas buscam eficiência, personalização e insights de dados mais profundos para enfrentar ciclos de vendas complexos.
Neste artigo, vamos comparar como B2C e B2B estão adotando a IA no Brasil, quais ferramentas lideram a preferência dos profissionais e o que os executivos realmente pensam sobre o futuro da tecnologia no mercado nacional.
Como B2C e B2B usam IA para criação de conteúdo
A criação de conteúdo é, sem dúvida, o campo em que a IA mais ganhou espaço no Brasil. Tanto no varejo e no e-commerce (B2C) quanto no mercado corporativo (B2B), as marcas perceberam que a tecnologia pode economizar tempo, reduzir custos e elevar a qualidade do que é produzido.
1. Garantia de qualidade
Ferramentas de IA já são usadas por mais da metade dos profissionais de marketing brasileiros para revisar textos, ajustar o tom de voz, verificar a acessibilidade e sugerir melhorias de escrita. Esse tipo de trabalho, que consumia horas de revisão manual, hoje é acelerado por algoritmos capazes de detectar inconsistências em segundos.
No Brasil, empresas de educação e saúde digital relatam que a IA reduziu em até 30% o tempo de revisão de materiais, permitindo que equipes se concentrem mais na estratégia de marketing digital do que em correções.
2. Copywriting em grande escala
No universo B2C, especialmente em e-commerces de moda, beleza e varejo, a IA é usada para gerar descrições de produtos, posts para redes sociais e campanhas de e-mail marketing em grande volume. Marcas como Magazine Luiza já utilizam IA de forma estratégica: a empresa implementou IA generativa na “Lu”, sua influenciadora virtual com 32 milhões de seguidores, transformando-a em vendedora no WhatsApp, com taxa de conversão 3x maior do que em outros canais, segundo reportagem da Exame.
No B2B, o foco é diferente: aqui a IA apoia a criação de conteúdos mais densos, como whitepapers, artigos técnicos e relatórios de mercado. Em vez de velocidade, o valor está em estruturar ideias, criar esboços e organizar grandes volumes de informação — um claro exemplo de AI no digital marketing aplicado de forma inteligente.
3. Criação de imagens e criativos
A pesquisa da GS1 Brasil já destacava que o uso de IA para conteúdos visuais é uma tendência crescente. No B2C, isso é ainda mais evidente: redes sociais e anúncios digitais exigem imagens impactantes e adaptáveis a diferentes públicos-alvo. Ferramentas como Canva AI, Midjourney e DALL·E têm ajudado marcas de moda, alimentos e entretenimento a criar peças exclusivas.
No B2B, o uso é mais estratégico: empresas de tecnologia e serviços usam IA para mockups, apresentações comerciais e infográficos, otimizando seu marketing estratégico.
4. Resumo de informações complexas
Seja para transformar relatórios técnicos em posts de LinkedIn (B2B) ou simplificar detalhes de produtos para posts de Instagram (B2C), o uso da IA como “tradutor de complexidade” cresceu no Brasil. Cerca de 40% dos profissionais já utilizam a IA para gerar resumos rápidos e adaptáveis.
5. Reaproveitamento de conteúdo
Um vídeo de depoimento de cliente pode virar artigo de blog, carrossel no LinkedIn, script de anúncio e até newsletter. Tanto no B2B quanto no B2C, o reaproveitamento de formatos é um dos usos mais promissores da IA, com quase 40% dos profissionais brasileiros já adotando essa prática.
6. Tradução e localização
No Brasil, a demanda por localização é especialmente relevante em empresas exportadoras, em SaaS e em e-commerces globais. A IA acelera a tradução de páginas de produtos, materiais técnicos e campanhas publicitárias. Embora a revisão humana continue indispensável, a tecnologia já permite reduzir prazos em até 50%, fortalecendo as estratégias de marketing digital de empresas que atuam em vários países.
Ferramentas de IA mais usadas no Brasil (B2C vs B2B)
O investimento em ferramentas de IA está crescendo. Segundo a Exame, o mercado brasileiro de IA no marketing digital deve se expandir fortemente até 2026, e tanto B2C quanto B2B estão direcionando orçamento para acessos a softwares.
As categorias mais populares são:
- Geradores de imagens e design
– Usados por mais de 40% dos profissionais.
– No B2C, aparecem em campanhas visuais de varejo, turismo e moda.
– No B2B, ganham espaço em relatórios, apresentações e materiais técnicos. - Chatbots e assistentes de texto
– ChatGPT, Gemini e Copilot estão entre os mais usados.
– Versatilidade: desde brainstorming até escrita de e-mails e roteiros de campanhas.
– No Brasil, já são aplicados em bancos, seguradoras e empresas de tecnologia em AI para vendas e atendimento.
- Edição de vídeo e áudio
– Ferramentas como Runway, Wisecut e Pictory têm forte adesão no Brasil, especialmente entre agências e criadores independentes.
– No B2C, ajudam na criação de anúncios para redes sociais.
– No B2B, são usados em treinamentos, webinars e apresentações de produtos.
- Geradores de voz e narração
– Ferramentas como Murf e Play.ht já são utilizadas para criar narrativas em português com sotaque brasileiro.
– Ampliam a acessibilidade e reduzem custos de estúdio.
- Edição inteligente de imagens
– Muito comum em e-commerce: trocar o fundo das fotos, ajustar as cores e criar versões sazonais.
– Mais de 30% dos profissionais no Brasil já utilizam.
O que os líderes brasileiros pensam sobre a IA
Os executivos de marketing no Brasil enxergam a IA como inevitável, mas ainda tratam da sua adoção com otimismo cauteloso.
- Segurança de dados em primeiro lugar
A principal preocupação é com a LGPD e a proteção de dados sensíveis. Aproximadamente 23% dos líderes citam privacidade como prioridade máxima.
- Potencial de crescimento, mas sem exageros
Cerca de 35% acreditam que a IA pode escalar seus negócios, mas 29% ainda mantêm neutralidade — aguardando provas mais consistentes de ROI.
- Cautela nas comparações históricas
Embora parte dos líderes considere a IA comparável à Revolução Industrial, a maioria prefere esperar para ver impactos sustentados em produtividade.
- Não substituir a criatividade humana
Mais de 65% dos líderes brasileiros acreditam que a IA deve apoiar, mas não substituir profissionais. A criatividade, a estratégia e a visão crítica continuam sendo diferenciais humanos.
- ROI moderado
Segundo as pesquisas, 43% veem retorno “positivo, mas não transformador”. Isso mostra que, no Brasil, a IA para marketing digital ainda é vista como ferramenta de eficiência e produtividade, não como solução milagrosa.
Quem adota mais rápido: B2C ou B2B?
No Brasil, a diferença é mínima. Tanto B2C quanto B2B já estão em ritmo acelerado de implementação.
– 91% das equipes de marketing já utilizam IA em alguma capacidade.
– Mais de 66% planejam aumentar os investimentos em 2025.
– No B2C, e-commerces e empresas de beleza/consumo lideram.
– No B2B, empresas de tecnologia, SaaS e serviços financeiros puxam a fila.
Em ambos os casos, vemos a integração da AI para vendas e estratégia de marketing digital, acelerando a adoção.
A IA não pertence a apenas um tipo de marketing
A principal lição para o Brasil é clara: IA não é exclusiva de B2C nem de B2B. Ela pertence a qualquer profissional que busca:
- Mais eficiência nos processos;
- Mais criatividade nos formatos;
- Mais relevância para o público.
Do varejo online ao SaaS corporativo, a IA está democratizando o acesso a recursos que antes exigiam equipes enormes e orçamentos milionários.
O desafio para 2026 será equilibrar tecnologia e estratégia humana — aproveitando a velocidade da IA sem abrir mão da autenticidade, da criatividade e da visão crítica que só profissionais de marketing brasileiros conseguem oferecer.
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Fonte: Blog Hubspot



