
Na contramão do discurso corporativo predatório, Guerra defende uma social-democracia pragmática inspirada no modelo escandinavo, argumentando que a redução da desigualdade social e o fortalecimento do poder de compra da classe média são os únicos motores viáveis para a sustentabilidade do próprio mercado. Ele detalha a aplicação dessa ética nos seus oito empreendimentos em São Paulo, onde garante uma escala justa de 5×2, paga os salários mais altos do setor e sustenta uma proporção salarial máxima de até dez vezes entre a liderança e a base operacional. Ao relembrar a gênese do mítico Vegas Club (2005-2009) na Baixa Augusta — nascido de forma empírica após a sua demissão da multinacional AOL —, Facundo resgata a potência de uma pista democrática sem camarotes, onde celebridades, intelectuais, travestis e trabalhadoras do sexo conviviam em harmonia como uma verdadeira utopia de integração urbana. Concluindo com a clássica provocação do ator Ricardo Darín, o empresário afirma que “o privilégio dói” perante a miséria do próximo, reafirmando que nenhuma realização material faz sentido no isolamento e que a felicidade humana é, essencialmente, uma conquista coletiva.


