
Em diferentes momentos do cinema, personagens secundários acabaram se impondo ao público de forma quase imediata. O Coringa interpretado por Heath Ledger em O Cavaleiro das Trevas é um exemplo recorrente: embora o filme gire em torno de Batman, é a presença caótica do vilão que permanece na memória coletiva. Algo semelhante acontece com Jules Winnfield, vivido por Samuel L. Jackson em Pulp Fiction, cuja personalidade e discurso atravessam o filme com mais força do que a própria estrutura fragmentada da narrativa.
Para Miguel Azevedo, ator, essa diferença começa na própria função narrativa de cada personagem. “O protagonista carrega o arco, a jornada e a lógica da história. Já o coadjuvante entra em cena sem a obrigação de explicar tudo”, afirma. “Ele pode ser mais instintivo, mais contraditório, mais humano. Aparece, provoca algo e sai. Isso cria impacto.”

